Minion Pro e Open Sans

Combinando fontes em apresentações PPT

Combinar fontes de modo inteligente é um dos principais aspectos de design que diferenciam uma péssima apresentação de uma peça de primeira linha. Uma boa apresentação, assim como um bom website, possui combinações de fontes, estilos e tamanhos bem definidas. Em outras palavras: é preciso variar a forma com que os textos aparecem, cortando a monotonia e, às vezes, criando destaque sobre algum trecho ou passagem.

No Powerpoint, o tamanho das fontes também é um aspecto importante. Veremos alguns motivos do porquê os tamanhos influenciam até mesmo no modo com que o público interpreta os slides. De um modo geral, as mesmas regras de bom senso e aplicação de fontes usadas num PPT podem ser aplicadas em seu website. O problema é que, tanto em um quanto em outro, as pessoas parecem não dar atenção mesmo às mais básicas noções e ao bom senso.

Por isso mesmo, resolvemos postar algumas dicas para combinar fontes. Lembre-se de que elas não são regras absolutas, e podem ser dobradas. Entretanto, elas ajudarão você a escolher e compor melhor, ou mesmo a opinar em trabalhos desenvolvidos por profissionais (quem sabe por nós correto?).

Combinando fontes – o básico

Para começar, basta dizer que há duas dicas bastante básicas para combinar fontes: no caso de duas fontes distintas, escolher um com serifa e outra sem (calma, vamos explicar se você não sabe); e também usar versões e estilos diferentes de uma mesma fonte.

No primeiro caso, vamos lembrar o que é uma fonte serifada? As serifas são traços e segmentos que ocorrem nos finais das letras e caracteres, criando prolongamentos. É a “perninha” do A, ou os traços na base do M. Mas a imagem abaixo mostra isso melhor. Aqui, você nota as diferenças entre uma fonte SERIF e uma SANS SERIF.

Diferença SERIF e SANS SERIF

 

Pois bem, é bom criar combinações que incluam uma fonte serifada e uma sem serifa. Isso cria contraste dentro de uma apresentação ou website e permite que se dê destaque a algo em particular, ou que sejam diferenciadas informações distintas. As fontes não têm necessariamente de ser “parecidas”, mas é claro que algumas combinações se sustentam melhor do que outras.

Outra boa dica é a de não confundir o leitor com o tipo de sentimento e emoção que você deseja passar. Pense assim: há opções mais sóbrias, outras mais divertidas. Algumas sugerem flexibilidade, outras uma texto mais tradicional. Evite, ao menos de início, misturar o tipo de interpretação. Uma chamada em fonte mais sisuda dificilmente vai bem com um texto escrito numa fonte mais divertida.

Finalmente, é preciso padronizar tamanhos. Se os títulos são todos em 28px, mantenha-os nesse tamanho. Se o texto normal possui 18px, não mude essas dimensões conforme os slides avançam. Mentalmente, ao lermos qualquer coisa, nosso cérebro utiliza os tamanhos para determinar o tipo de informação. Se o texto diminui, o público pode tomar um texto importante como uma legenda, ou um título como um mero bullet point.

Manter dimensões dentro do padrão também ajudam você a criar um senso de hierarquia. O usuário não precisa ser informado a todo momento de que X é um subitem de Y ou vice-versa. O próprio tamanho da fonte, sozinho, dará essa informação ao público – e com isso você não precisa poluir seus sites e apresentações dando explicações demais.

Combinando fontes – selecionando classes

Apesar de haver manuais extensos de tipografia em português, quando selecionamos fontes de texto para design ou web design, é melhor mantermos as coisas em inglês. Na internet, você encontrará quatro tipos básicos de fonte: SERIF, SANS SERIF, SCRIPT e DECORATIVE. Cada um desses tipos possui subclassificações que podem ser úteis:

SerifSans SerifScriptDisplay
Old StyleGrotesqueFormalGrunge
TransitionalSquareCasualPsychedelic
NeoclassicalHumanisticHandwrittingGraffiti
Slab SerifGeometricBlackletterOthers
GlyphicNeo-grotesqueBrush Script

Há mais subtipos, dependendo de onde buscamos cada fonte. De qualquer modo, a tabela engloba e separa bem os grupos principais. Como regra básica, tentamos usar grupos diferentes em um par de combinações. Já os subtipos sugerem certos valores e interpretações extras. Por exemplo, uma fonte SERIF de um tipo “Old Style” irá transmitir um ar mais clássico, até mesmo antigo e rebuscado. Já uma “Slab Serif” possui um ar muito mais moderno, como veremos em alguns exemplos de pares de combinações logo adiante.

Fontes mono-espaçadas

Pois bem, há mais uma classificação de fonte que você encontrará com facilidade: as “Monospaced”. Essas fontes incluem vários estilos e tipos, com uma única característica em comum: cada caractere ocupa um mesmo espaço horizontalmente. Para entender isso, basta lembrar de uma máquina de escrever (onde as fontes eram mono-espaçadas). Fosse o caractere um “I” ou um “M”, ele tinha de ocupar um mesmo espaço no papel, pois as alavancas e hastes que batiam no papel e carimbavam as letras tinham o mesmo tamanho e largura.

Com isso, essas fontes possuem espaços desproporcionais – as letras “I” ou “L” minúsculo ficam muito mais distante dos caracteres ao lado, se comparadas a letras como “M” ou “G”. É possível chegar a ótimas combinações com essas fontes, mas até você produzir boas montagens, tente evitá-las, pois seus espaços desproporcionais causam desconforto ao leitor, especialmente em slides.

7 regras rápidas para combinar fontes

Poderíamos escrever laudas e mais laudas sobre tipografia e combinação, mas vamos manter as coisas objetivas para si. Separamos aqui 7 regras que podem ajudar você a escolher seus próprios sets de fontes, além das combinações que vamos oferecer em seguida:

  1. Considere o contexto. Tente evitar fontes alegres e com aparência infantil se o tema é mais sério e corporativo. Do mesmo modo, evite fontes retilíneas ou clássicas demais se o tema é mais divertido e ligado ao entretenimento.
  2. Considere a leitura. Fontes lindas, porém difíceis de ler, não são boas escolhas para apresentações e websites. Seu público precisa compreender rapidamente o que está escrito, e você não deve dificultar esse processo.
  3. Misture fontes de grupos diferentes. Fontes SERIF com fontes SANS SERIF, ou mesmo fontes SCRIPT com fontes SANS SERIF, ou fontes DISPLAY com outros grupos.
  4. Preocupe-se com o contraste. Uma fonte deve possuir uma boa diferenciação em relação à outra. Se você quer optar por fontes parecidas, é melhor usar estilos e pesos diferentes de uma mesma fonte: como parte do texto em negrito e parte em itálico “Thin”.
  5. Use “famílias” de fontes. Algumas fontes possuem versões SERIF, SLAB e SANS SERIF ou mesmo SCRIPT. Nesse caso, designers dessas fontes já as fizeram de forma complementar, e usá-las em conjunto é uma resposta fácil para seus problemas.
  6. Evite muitas fontes. Duas fontes bem escolhidas funcionam bem. Ao adicionar uma terceira ou uma quarta, as possibilidades de criar combinações ruins aumentam. Tente restringir o número de fontes e estilos usados e enriquecer seu conteúdo mais com base nas imagens.
  7. Use fontes “amigáveis”. Com isso queremos dizer fontes que estão presentes no Windows ou podem ser facilmente encontradas em qualquer dispositivo. Usar fontes exóticas demais pode gerar problemas de visualização ou até mesmo de impressão. De qualquer modo, softwares como o Powerpoint também possuem a opção de salvamento com a fonte utilizada – isso evita que seus clientes tenham as fontes substituídas ao ver uma apresentação, caso não a tenham em seus computadores.

Bem, claro que mesmo depois de ler este artigo, você provavelmente quer facilitar sua vida. Para ajudar, separamos algumas combinações de fontes prontas para você, que seguem nas imagens abaixo. Todas as fontes usadas são gratuitas para download ou podem ser encontradas em sua própria máquina. Clique nas gravuras para ver os nomes de cada fonte utilizada.

Todas as fontes usadas nos exemplos estão presentes no Google Fonts e podem ser baixadas gratuitamente, inclusive com suas “famílias” e todos os estilos disponíveis. Para baixá-las, basta clicar aqui.

Por que meu PPT não vende?

O Powerpoint é um dos softwares mais utilizados do mundo. Estimativas de revistas norte-americanas de design apontam mais de 500 milhões de usuários em todo o mundo. Todos os dias, mais de 30 milhões de apresentações são feitas mundialmente, conforme estimativas do Slideshare. Boa parte dessas apresentações PPT têm como objetivo vender um produto ou são usadas como apoio de vendas.

Então… por que seu PPT não vende?

Bem, antes de responder a essa questão, pensemos o seguinte: será mesmo que milhões de pessoas estão usando algo que não resulta? Ainda que a maioria delas esteja usando o Powerpoint sem efeito, é certo que para algumas dessas pessoas a ferramenta resulta. Assim sendo, a pergunta que temos de responder aqui é bem outra…

O que faz um PPT vender?

Publicidade e informação

Quando criamos um PPT para nossos departamentos de vendas, nosso instinto natural é o de incluir o quanto mais pudermos de informação nos slides. Na verdade, deveríamos estar criando uma peça de publicidade, e não um ementário legal sobre o produto, ou uma nova norma técnica sobre a produção do mesmo. Para a maioria dos vendedores, os PPT recebidos se parecem com algo assim…

 

Lamentavelmente, se pensarmos nas possibilidades de venda do refresco contido na lata acima, chegaremos a algo próximo de zero. Seus comerciais estão recebendo dados completos sobre o produto, e repassando-os aos clientes. Contudo, não é exatamente isso que os clientes buscam. Eles querem razões – emocionais, visuais e irracionais – para adquirir seus produtos. Na mesma lata, estaríamos falando de algo mais próximo da figura a seguir.

Existe uma diferença crucial entre “features” e “benefícios”. Os primeiros, em geral, referem-se a características técnicas e descritivas do produto. A bebida é verde, tem sabor cítrico e é produzida nacionalmente. Nada disso vende. Já “verde e refrescante” coloca dois benefícios. Finalmente, o “em dobro” mostra, em conjunto com a imagem, que o cliente terá a frescura do limão e do hortelã ao mesmo tempo.

Confundindo vendedores

Sua equipa comercial precisa de material de apoio, não de desvios. Apresentações PPT corporativas geralmente tiram o foco da venda em si e distraem o cliente, fazendo com que ele perca a atenção ao vendedor. Após 10 slides falando sobre as maravilhosas conquistas de sua empresa, a localização de suas unidades e o perfil de seus executivos (egocêntrico, não?), o lead está dormindo de olhos abertos.

Quando o vendedor retoma seu discurso em relação ao produto, nada foi adicionado. É como se o processo de venda tivesse começado DEPOIS da apresentação. Agora, pensemos: não seria mais correto se o PPT poupasse ao vendedor parte de seus esforços. Se benefícios e vantagens do produto ou serviço estivessem em destaque e a apresentação apenas se preocupasse em ressaltar frases e pontos que ficarão na mente do cliente, estaríamos no mundo perfeito.

A verdade é que, não raro, vendedores fogem completamente ao disposto nas apresentações. Com o tempo, percebem que aquele conteúdo confunde seu discurso e traz informações à tona que em nada ajudam o processo de conquista do lead.

Tempo é crucial

Seja honesto: quando você concorda em receber um representante em seu escritório, por quanto tempo o pode atender? Dez minutos? Talvez menos? Entretanto, parecemos querer que nossos vendedores e comerciais cumpram uma apresentação de 30 minutos junto a cada cliente, iniciando uma discussão e uma oferta ainda depois disso tudo. O tempo é algo crucial. Se considerarmos que um vendedor gasta apenas 30 segundos para acompanhar e exibir cada slide para clientes, ainda assim a maiores dos PPT corporativos tomaria 8 a 10 minutos. É muito tempo.

Qualquer apresentação que tome mais do que 2 ou 3 minutos de exibição é uma assassina de leads. Isso porque muitos potenciais clientes calam-se durante a apresentação, e acabam deixando de fazer perguntas. Do mesmo modo, eventuais compras por impulso são totalmente destruídas ao longo da “palestra de vendas”. E o objetivo do PPT, como já vimos, é o de remover objeções, e não de criá-las.

Call to action

Muitas das apresentações de vendas chegam ao seu final com um “obrigado”. E só. O “call to action” é uma necessidade em qualquer tipo de PPT, não apenas em vendas. Após expor todo o conteúdo e seguir a lógica narrativa, é hora da retribuição: você deve pedir ao lead para que realize alguma ação. Imagine que essa apresentação foi simplesmente encaminhada para o cliente por e-mail. O que é que ele deve fazer após passar por todos os slides?

  • Clicar num link?
  • Enviar um e-mail?
  • Preencher um formulário?
  • Ligar para um número de telefone?

Você decide, mas nunca deixe de sugerir uma ação. Ela não apenas tem o poder de converter clientes, como também é o ponto da apresentação no qual você poderá medir o grau de eficácia do material. A partir do call to action, você pode criar uma métrica para suas apresentações. Sem ele, você e seu vendedor estão no mesmo lugar onde estavam antes de enviá-la ou mostrá-la… no escuro.