Informação demais no design não resulta… saiba o porquê

Quem trabalha ou já trabalhou com comunicação sabe de algo… quase todos os clientes e empresas querem colocar TUDO em suas peças publicitárias e de divulgação. A ideia torpe de que é preciso colocar tudo e mais um pouco, ainda que seja num cartão de visitas, não é apenas “falta de estilo”. Se sua empresa sempre busca meter tudo em qualquer que seja a media, está na hora de mudar.

Quando trata-se de design, muitas empresas ainda têm dificuldades em enxergar algo simples. O cliente ou leitor NUNCA lê tudo. Especialmente quando lidamos com peças de publicidade de rápida visualização, como folhetos ou anúncios online, a probabilidade é de que cada usuário as veja por segundos. Entretanto, muitas das peças que vemos em todo canto possuem toneladas de informação, textos e imagens.



Mais do que uma questão estética – essa mais relacionada ao gosto – trata-se de foco e organização. Ao priorizar “tudo”, prioriza-se nada, a bem da verdade. Quando damos destaque a todo o conteúdo de maneiras diferentes, não fazemos ver nenhuma parte dele em particular. Isso leva a peças de publicidade que não resultam.

O conceito de campanha

Toda empresa possui dezenas, centenas ou milhares de produtos. Todas têm valores e história. Todas elas atuam em diversos segmentos e mercados. Entretanto, cada peça de publicidade precisa ter um alvo específico. E, para alguns desses alvos, 99% da informação que possuímos é irrelevante. Estudemos dois casos distintos.

CASO 1 – DESCONTO SAZONAL

Digamos que determinada empresa esteja a oferecer descontos em alguns de seus pacotes de viagem, apenas para o mês que antecede às férias de verão. Apesar de possuir mais de 30 pacotes de viagem distintos, essa empresa deverá focar seus esforços de marketing nos destinos ligados ao veraneio. Isso leva a algumas conclusões iniciais:

  • Destinos fora do contexto de veraneio, longe de praias, de hotéis “fazenda” e quintas ou de regiões montanhosas não são prioridade
  • Qualquer pacote que não esteja incluído no desconto é irrelevante
  • A informação-chave aqui são os preços – não particularidades de cada pacote

Com foco nos preços, o objetivo é o de atrair o público com base nos descontos. Anunciar adicionais de serviços, custos extras e afins é algo que vai de encontro à meta inicial: vender com desconto.Em seguida, é preciso pensar em termos de público. Há anúncios para um público geral, mas caso seu apelo seja a retirados, anunciar pacotes de casas noturnas e bares da moda não parece útil. Do mesmo modo, se a empresa aqui objetiva um público mais jovem e universitário, destinos românticos ou de família não surtirão qualquer efeito.

Finalmente, há que se usar hoje em dia a web para informações mais aprofundadas. Evitemos incluir todos os detalhes de cada roteiro. Preços, número de dias, nível de desconto e 3 ou 4 pontos principais de visitação – isso é mais que suficiente. Para terminar, dados de contacto ou para que o leitor busque mais informações.

O modelo “institucional” infelizmente ainda é usado, mesmo no segmento de viagens. Nele, opta-se por longos textos (que ninguém lê) e não há destaque especial para nada. Mesmo dados para contacto parecem estar escondidos do público por alguma razão.

Especialmente em segmentos de venda para o público final, o modelo institucional é um erro comum.

 

CASO 2 – RODADA DE PROMOÇÕES

Há empresas grandes de varejo que promovem diversos produtos ao mesmo tempo em folhetos que parecem pequenos jornais. Entretanto, em um espaço exíguo, como em um flyer, tal receita não funciona. Há como diagramar-se um folheto de modo a comportar várias imagens e produtos, mas o maior problema dos folhetos promocionais de empresas é o ponto de foco. TUDO é destaque.

Empresários muitas vezes têm a impressão de que se derem destaque a tudo, tudo parecerá importante. O que ocorre é exatamente o inverso: sem um ponto focal definido, o leitor perde-se em meio a tanta informação. O flyer na imagem exemplifica bem.

Números, porcentagens, preços, slogans – tudo em destaque, caixa alta e tipografia explosiva. Há tanto em destaque que mal se veem os produtos.

 

Campanhas que resultam

Para que uma campanha resulte, ela precisa de um foco, uma temática ou um alvo – ou todos os três. Como vimos nos dois exemplos anteriores, havia em planeamento um foco específico, mas ele perdeu-se na inundação de informações. O design e a comunicação precisam de prioridade – oferecer toneladas de informações equivale a dar 10 horas de aulas seguidas a um estudante. Com sorte, ele absorverá as primeira duas horas de explicações.